Adolfo, desde criança, e, por conta da necessidade, assumiu precocemente a obrigação do trabalho, tornando-se, muito jovem, uma pessoa madura e responsável.
Com o decorrer dos anos, o estresse, este inimigo moderno, começou a fazer parte da sua vida.
Certo dia, revelando a um amigo as tribulações acerca da rotina laboral, este amigo, de temperamento lascivo, indicou, de pronto, a Dona Maria. Segundo ele, uma excelente e bonita fisioterapeuta que, certamente, aliviaria, com as suas suaves mãos, o estresse.
Adolfo entusiasmou-se. Queria detalhes sobre a fisioterapeuta, as suas massagens, o endereço etc.
Ansioso e sem perder tempo fez-lhe uma ligação marcando o dia da primeira sessão.
No dia acordado, apreensivo, Adolfo dirigiu-se para uma das ruas secundárias de um dos bairros da cidade.
Na rua e número indicados, estacionou o carro e demasiadamente nervoso foi ao encontro do número 370.
Bate palmas.
Surge uma senhora de pele escura, altura e peso acima do normal, aproximadamente 100kg ou mais, e, com uma toalha ao pescoço, suando constantemente pela testa e “bigode”, o atende.
_ Pois não, Senhor?
_ Boa tarde. Eu queria falar com a Dona Maria.
_ Sou eu. Pode entrar.
A surpresa, ou melhor, o susto foi grande. Adolfo pensou engabelar uma desculpa e retornar rapidamente ao carro, mas não havia condições. Entrou.
A profissional, já sabendo tratar-se de um cliente, mandou Adolfo tirar a camisa e se dirigir ao quarto.
Lá, ríspida, manda Adolfo se encostar à parede. Sem a menor delicadeza, com uma das mãos pega no queixo do Adolfo, a outra sobre a cabeça, dá um “solavanco” para um lado, para outro e o Adolfo assustado: Cuidado Dona Maria!!! AiDona Maria!!!
_ Deixe de ser mole, Seu Adolfo!
_ Vire ao contrário, de frente para a parede. Disse ela, enxugando constantemente o suor que lhe corria do rosto.
Obediente, lá estava Adolfo com o queixo encostado na parede.
Dona Maria segura uma das suas mãos, com a outra dá-lhe uma chave de braço, elevando-a para cima e o coitado do Adolfo já de ponta de pés a gritar: Ai Dona Maria!!! vai quebrar Dona Maria!!!
_ Mas como o Senhor é frouxo, Seu Adolfo!
Agora deite-se de bruços.
O infeliz do Adolfo, todo quebrado, obedece.
A pesada fisioterapeuta começa a caminhar, ou melhor, a pisotear suas costas, costelas estralando e o Adolfo aos gritos.
Devagar, Dona Maria!!! Ai Dona Maria!!!
Por fim, e felizmente, termina aquela sessão, ou melhor, aquela tortura.
_ Volte sempre, Seu Adolfo!
_ Voltarei Dona Maria!
No carro, aliviado, recebe uma ligação.
_ E aí Adolfo, gostou da massagem?
Era o seu “amigo”.
Abílio, jul 2017
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