No mês de junho de 1989 realizou-se na residência do meu cunhado, Zé Augusto, um São João. Por motivo que não me recordo, minha esposa e eu não comparecemos. Entretanto, nossos filhos: Giuliano, Carol e Abílio Júnior, todos impecavelmente trajados de roupas juninas, foram em companhia das tias.
Às 22h, aproximadamente, retornam Giuliano e Carol. O Júnior, por motivo ignorado, não quis vir na companhia dos irmãos. Talvez uma caipirinha de sua idade, 6 anos, tenha sido o motivo de sua permanência naquela festa.
Somente por volta da meia-noite retorna para casa acompanhado de uma das tias. Resolvido, dirige-se ao elevador e aciona o 8º andar. Toca a sirene uma, duas, três vezes e nós nada de acordarmos. Desesperado por não ver a porta se abrir, chora copiosamente. A nossa vizinha do 802, a bondosa Dona Sara, ao ouvir o desespero daquela criança a convida para entrar. Convite rejeitado incontinente: “Quelo dormir é na minha casa”, disse ele.
Visando solucionar a aflição daquela criança, Dona Sara tenta uma solução. Liga para nós. Jocosamente diz ter um cidadão na nossa porta querendo entrar. Ao abrir, tamanha foi a surpresa ao ver aquela figurinha de um metro de altura, calça arregaçada, camisa listrada, lenço no pescoço e com o bigode e costeletas totalmente borrados em razão das lágrimas que desciam copiosamente.
Trazia, ainda, numa das mãos, o chapéu amassado; na outra, um pedacinho de bolo literalmente desfigurado.
Ao ver aquela figurinha tão engraçada, tão chorona, enfim, tão linda, indaguei-lhe: “O que foi Juninho? Com o pezinho já dentro de casa e ainda aos berros, respondeu: “Foi tu que não quelia que eu entlasse pai véi bait…”.
Não foi a resposta que esperava, mas, sem dúvida, uma cena engraçadíssima e que jamais esquecerei desse meu caipirinha bonito e enfezado.
Abílio, jul 1999
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