Ingratos

No auge da minha infância, eram todos vibrantes, saudáveis e bonitos. Esvoaçavam de alegria em minha companhia, sabedores do carinho e do bom trato.
Enchiam-me de orgulho, e eram por todos admirados.
Em minha companhia, eu lhes dava, a cada ano, mais amor. Era parte integrante da minha vida.
Na juventude, estavam eles ao meu lado, recebendo doces carinhos das mãos macias e marcantes de cada amor.
Mas, como tudo na vida tem o início, meio e fim, eles foram aos poucos se ausentando, deixando-me um vácuo e uma enorme saudade.
Nos encontros com amigos, a costumeira indagação:
_ O que acontece com os seus amigos que estão se ausentando?
_ Não sei. Inexiste explicação, pois sempre os tratei com carinho.
Alguém sugeriu que os suprisse por outros. Assim o fiz, mas sem êxito. Aqueles eram insubstituíveis.
Senti as suas ausências, mas o tempo consolou-me.
Hoje, feliz, convivo harmoniosamente com os meus poucos, mas fiéis cabelos brancos.
(Que os dentes não sigam o mesmo destino!)

Abílio, 12 mar 2018

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2 comentários em “Ingratos”

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