Não é minha a exclusividade, mas acredito que a maioria das pessoas já sofreram, nas suas vidas, acidentes pequenos ou de grandes proporções.
Comigo, vários acidentes experimentei ainda muito jovem, tendo a moto como parceira. Em um deles, sofri uma leve lesão na oitava e nona vértebra; em outro, a lente se alojou na pálpebra esquerda, muito próxima ao olho. (Ainda não havia a “Lei Seca”)
O mais grave, todavia, ocorreu na cidade de Alta Floresta, no Estado de Mato Grosso, quando ao retornarmos de uma operação policial, em plena selva amazônica, a viatura dirigida por um colega desgovernou-se e caiu na entrada de uma pinguela (ponte de madeira), onde serpenteava um largo rio. Uma pequena e milagrosa árvore erguida da ribanceira conteve um acidente sem proporções.
Após sairmos vagarosamente do carro capotado, sentindo enormes dores e bastante ensanguentados, ficamos por horas ouvindo ruídos e uivos incessantes, numa escuridão apavorante.
Entretanto, de todos os acidentes que me ocorreram, um foi bastante bizarro. Aconteceu lá pelos anos 90, na aprazível Praia das Flexeiras, quando convidados por um casal amigo, fomos passar o final de semana naquele aprazível lugar.
Domingo, ao acordar, olhei para um quadriciclo que me provocava e fui arriscar dá umas voltas pela praia. Saí faceiro e vagaroso apreciando dunas, coqueirais e enseadas. De repente, ouço o latido de um mal-humorado cachorro. Pelo retrovisor percebo ser eu a vítima do animal. Sem a devida prática na condução, acelero desesperadamente procurando distanciar-me daquele infeliz. Mas não foi suficiente. A sua aproximação era iminente, questão de segundos. Amedrontado, desprezo o horizonte e fico a acompanhar a aproximação célere daquele animal. Já bem próximo, pega-não-pega, quase no calcanhar, percebi a sua ira demonstrada nos dentes e focinho raivosos.
Que mal fiz eu!
Aflito, levanto as duas pernas à altura do guidão, quando de repente me deparo, à frente, com uma jangada. Sem tempo e sem a devida perícia, aconteceu o esperado: voei por sobre a jangada, o quadriciclo arrebentado de rodas para o ar, enquanto o maldito cachorro retornava vagarosamente, olhando para trás, às gargalhadas.
Ah, fi duma égua!
Abílio, 11 de out 2018
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